quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Implicações do filme no quotidiano e no ensino – aprendizagem

Segundo os nerdes, Robin Sloan e Matt Thompson, (fanáticos por internet), o mundo virtual da informação começará a ser cada vez mais manipulado por três grandes empresas: Microsoft (softwares), Google (gestão de informações na web) e Amazon (a maior loja virtual do mundo).
Relativamente ao filme estão conscientes de que exageraram um pouco, “para fazer as pessoas pensar”.
O objectivo do filme é apontar tendências e exemplos de cenários do impacto nos media impressos e na televisão do que ocorreu nestes últimos quinze anos, desde a invenção da Web, existindo “… uma mudança do centro de gravidade onde as pessoas vão procurar as noticias» (Sloan, Robin).
No filme a informação aparece quase à velocidade da luz, expressa pelo flash inicial, que anuncia uma explosão de acontecimentos a qualquer momento. Essa explosão concretiza-se ao longo dos oito minutos com o nascimento ou fusão rápida entre motores de pesquisa, agregadores e "newsmasters" (os novos editores de noticias nos novos media) desafiando o seu próprio poder.
Ao nível da consolidação na área dos novos media, anunciada no filme, os autores esperam que “…não assistamos a uma consolidação massiva…. Isso seria terrível"
Embora os grupos dos media estejam conscientes da utilização destas novas ferramentas expressas no filme, ainda não olham para elas com desafio ao poder de que ainda são detentores. No entanto, e como explica Robin Sloan, “essas ferramentas podem, num futuro não muito distante, ditar o fim das organizações tradicionais do negócio das notícias, deixando-as com uma audiência residual".
No caso da “caixa que mudou o mundo” – televisão, a mudança será mais resistente na medida em que continua a ser um forte poder, ao qual as pessoas ainda estão muito agarradas e até dependentes no seu quotidiano. Continua a ser de acesso fácil, simples e abrangente a qualquer idade, quer para ver/ouvir as notícias, quer para assistir a programas que muitas vezes servem de companhia à solidão. Vai, por isso durar mais um tempo até que a atitude mude. “A banda larga e os ambientes sem fios vão comandar essa mudança de atitude. A própria publicidade – a alavanca dos media tradicionais – vai mudar à medida que a transição de audiências ocorra, refere Robin Sloan.
A imagem visionária do filme, não nos agrada particularmente, pois, a ideia expressa que EPIC “abafa qualquer discussão sobre os media e democracia, ou ética jornalística” e não aponta para a liberdade de escolha e de pensamento; Impera a hegemonia da Googlezon, o Times torna-se “um jornal impresso destinado à elite e aos mais velhos”,são razões para uma visão pouco agradável.
Não pertencemos à “Net Generation” e o carácter humano, prazenteiro em escolher, folhear um livro, um jornal, uma revista comodamente sentado no sofá, na cama, deitado na relva… ou onde quer que seja, é manifestamente desvirtuado no mundo dos cibernautas, pois, ler é um acto “íntimo”.
Vivemos no século onde imperam as novas tecnologias, convivemos lado a lado com a “Net Generation” e evoluir, actualizar, acompanhar a evolução é um sinal de inteligência, desde que, com peso, conta e medida. Não nos deixarmos escravizar pelas máquinas, não nos tornarmos “robôs” é também sinal de inteligência. É nesta perspectiva que pautamos a nossa prática de aulas com os alunos. Não descuramos as tecnologias da informação, até porque “democratizou” em grande medida o acesso à informação para todos mas, gostamos de “romancear”, ainda, nos nossos alunos, as leituras que fazem, as que lhe são sugeridas no Plano Nacional de Leitura, as que procuram e que fazem parte do seu imaginário, (e do nosso) sem nunca desrespeitar os “direitos inalienáveis do leitor” preconizados por Daniel Pennac.

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